
William Burroughs, certa vez, manifestou interessante alegoria.
De que, se encararmos a democracia como um organismo, suas instituições representariam uma série de tipos câncer (instituições, só para constar, no foco, aquelas engrenagens corporativas que, a falar por baixo, CONTROLAM toda e qualquer sociedade).
O argumento parte do raciocínio de que tais torres, possuidoras de famigerado poder coercitivo, são facilmente capazes de corromper os homens – por desde seus convencimentos em forma de ideais às possibilidades de maquiavelismo que seus privilégios, em termos de poder burocrático, proporcionam.
Ou seja: qualquer instituição, desde que bem estrutura e provida de recursos, pavimenta caminhos para poderoso egocentrismo monetário (óbvio) e de decorrência social, pois é fonte de facilidades, de pretextos e justificativas para certa corrida material e ideológica. Certa pilhagem, combustada por manipulação populacional – e isto corrompe; torna-nos insensíveis às delimitações de bondade e nobreza (em conotação não-babaca, por favor).
PAUSA – O tópico parece pseudo-acadêmico, I know, mas muita calma, seus putos, pois acredito que o cerne desenvolvido será de interesse universal.
Retomada:
Ok. Instituições representam o câncer – são geradoras de corrupção. E também calculável que, pelo fato da menção de Burroughs à
democracia, deduz-se que o autor acreditava no ente
Estado – pois democracia o pressupõe, por ser um regime governamental.
Agora – terreno estabelecido - como fugir da proposta, para que se possa utilizar de catarse com o problema?
Serão estas instituições, as poderosas e que pautam a liberdade de rebanho humano, de criação elitizada, intelectual e, por isso, artificial? Ou serão, estas instituições, entes orgânicos da vida em sociedade, de surgimento natural e irrepreensível? (o que, no caso, terminaria por encerrar a pauta, right fuckin’ now, pela não solução aparente, devido à inevitabilidade do tema)
E, aqui, complicação, pois, pela honra que devo a um texto de perfume sociológico, natural o movimento de que, no mínimo, sugira-se nuance de solução a toda essa bosta – já que a raiz do mal citada não é de crédito meu; por isso, não suficiente.
Doravante, então, tentemos levantar algumas questões.
Caso o artificialismo seja o quadro, podemos descartar a possibilidade da derrubada de instituições vigentes para a formação de novas, constituídas sob alicerce reformado – já que claro exemplo isto seria de um círculo vicioso, pois que a corrupção do homem é em caráter geral e não diferenciada por ímpetos e boas qualidades individuais.
Portanto, como arquitetar realidade social não regulamentada por estas personalidades, pessoas jurídicas, despóticas da moral?
O que poderia surgir na piscina desgovernada das grandes metrópoles que desempenhasse função substituta das instituições? Ou, ainda melhor: o que poderia ser feito para que tais organizações nem sequer necessitassem de existência?
Sobra-nos, em vista disso, análise do
status quo e de suas principais vertentes institucionais – as que, de fato, aprisionam a capacidade existencial do ser humano – em tentativa por fundamentação.
E são elas:
Partidos políticos, instituições educacionais, instituições religiosas, e a – onipresente, onisciente e onipotente – realidade dos ditadores econômicos.
Tudo soa intransponível. Absolutamente enraizado.
Seremos capazes, como sociedade, de conceber tal evaporar? Tal utopia? A da suposta queda destes tatames imperialistas?
Todo princípio de pensamento, se alicerçado por histórico de dinâmica populacional, logicamente, apresenta falhas impetuosas para estes fins; pois, ao menos em teoria, nota-se a lacuna absolutória para tais meios. Por outro lado, ao pensarmos em possibilidades futuras, atreladas à evolução tecnológica, algo pode, sim, vir à mente.
E de maneira extremamente vanguardista.
Olhemos à nossa volta.
Ou melhor.
Cliquemos à nossa volta.
Sim - A internet.
Ao não alienado – o que se pode notar?
Pois global já é a vertente do novo e mágico compartilhamento de informação e conteúdos.
Porquanto possui-se, hoje, portal que manifesta, de maneira abstrata, e na forma de oceanos individuais, ferramenta revolucionária no sentido de absorção de dados e formação intelectual.
Exemplos banais ilustrativos são inúmeros – entre eles, a
Blogosfera (lixo de termo), todo o mundo
Wiki e de espaços egocêntricos, porém púbicos, que alimentam motivações para manutenção deste novo campo virtual (aqui, exemplos como Orkut, My Space, Facebook , O Caralho etc.).
Fundamentalmente, concentração para a nova capacidade do usuário padrão da internet de poder criar, tornar público e manifestar dizeres, opiniões, trabalhos, feitos intelectuais ou científicos etc. – assim, a tornar-se arquiteto e juiz solidário da tecnologia e suas ramificações, padecida por suas responsabilidades.
Ao lado com obviedade de que a realidade descrita encontra-se em estado inicial de formação e, por isso, ainda apresentadora de resultados neutros - se analisada real eficácia de sua função por mudanças estruturais (estruturais, de fato, em seu domínio – pois lembremos que aqui estamos a discutir quedas de grandes e opressivos conglomerados de poder).
Mas que conferido, por outra banda, o potencial de sua engrenagem.
Pelo motivo de que, se considerado o natural e já presente anabolismo da linguagem, com certa ousadia promove-se vislumbre de época em que toda e qualquer manifestação de informação viajante estará
infectada por tal modo operacional.
E aqui, apesar de tardio, o ponto:
Prevejamos o mundo, como o conhecemos, a deparar-se com tamanha realidade - a da absoluta e vigente troca de conteúdos, na forma desta rede invisível e individualmente ativa de operação – que talvez dê-se o início de uma era em que o pragmatismo institucional citado anteriormente torne-se obsoleto.
É que surgirá possibilidade de auto-formação e regulagem orgânica de valores que serão, arraigadamente, filtrados por uma teia (também invisível), de certa maneira, democrática. Ao fato de que, com possibilidade de liberdades e voz pela web, qualquer de seus usuários será dono de (por mais que relativa) sinceridade anônima e pública (caso escolhida), passível de improvável ignorância de coerção, pois utópico será monopólio ditatorial de tal aspecto.
Ou seja,
Será janela, onde, talvez, verdadeira seja a capacidade de formação massiva e comunitária de conhecimento e troca de experiências. Por um plano subjetivo de opções individuais. Quando, quem sabe, poder-se-á educar um filho fora dos muros de uma escola e segundo vigência liberta de concepções de mundo. Quando todos serão reguladores de transações econômicas, religiosas e ainda políticas – já que crédula uma unificada vontade geral e solitária, simultaneamente, pois existirá aparato tecnológico responsável e suficiente para a investida.
Porém, de igual modo, possivelmente provável que, com esta dinâmica, nasçam novos instrumentos de manipulação - da mão de grupos análogos aos que têm as rédeas das instituições práticas postas à prova pelo texto.
Aí, neste caso, foda-se – e que venha a nova dinastia sanguinária.
Porque o mundo é negro; e o ser humano, também – disso sabemos.
Mas temos aqui, ao menos, luz de uma era em que, apesar de idealizada, brecha existirá para remexida e conseqüente transferência de impunidade.
E vamos combinar que isso já é válido.
Porra.